Como os nervos espinais, os nervos cranianos são feixes de fibras sensitivas ou motoras que inervam músculos ou glândulas.
Conduzem impulsos de receptores sensitivos ou têm uma associação de fibras motoras e sensitivas.
São denominados nervos cranianos porque emergem através de forames ou fissuras no crânio e são cobertos por bainhas tubulares derivadas das meninges cranianas.
Existem 12 pares de nervos cranianos, que são numerados de I a XII, no sentido rostral – caudal.
I – Nervo olfatório
II – Nervo óptico
III – Nervo óculo-motor
IV – Nervo troclear
V – Nervo trigêmeo
VI – Nervo abducente
VII – Nervo facial
VIII – Nervo vestibulococlear
IX – Nervo glossofaríngeo
X – Nervo vago
XI – Nervo acessório
XII – Nervo hipoglosso
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
A maioria deles liga-se ao tronco encefálico, com exceção apenas dos nervos olfatório e óptico, que se ligam, respectivamente, ao telencéfalo e ao diencéfalo.
Os nomes dos nervos cranianos, numerados em sequência crânio-caudal, estão descritos na tabela abaixo, que contém também as origens aparentes no encéfalo e no crânio, dos 12 pares cranianos*.
Origem aparente dos pares cranianos. MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro/São Paulo: Atheneu, 1991.
(Na realidade são 13 os pares cranianos, se considerarmos o nervo terminal, pouco desenvolvido no homem com de função controvertida. Alguns autores, entretanto, consideram-no associado ao nervo olfatório). MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro/São Paulo: Atheneu, 1991.
Kahle, Color Atlas of Human Anatomy, Vol. 3. Thieme, 2003.
Kahle, Color Atlas of Human Anatomy, Vol. 3. Thieme, 2003.
Os pares de nervos cranianos estão representados por números romanos.
As estruturas anatômicas estão representados por números cardinais.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

COMPONENTES AFERENTES

Na extremidade cefálica dos animais desenvolveram-se durante a evolução órgãos de sentido mais complexos, que são, nos mamíferos, os órgãos da visão, audição, gustação e olfação.
Os receptores destes órgãos são denominados “especiais” para distingui-los dos demais receptores, que, por serem encontrados em todo o resto do corpo, são denominados gerais.
As fibras nervosas em relação com estes receptores são pois classificadas como especiais.
 
Assim, temos:
 
A) Fibras aferentes somáticas gerais — originam-se em exteroceptores e proprioceptores, conduzindo impulsos de temperatura, dor, pressão, tato e propriocepção.
B) Fibras aferentes somáticas especiaisoriginam-se na retina e na orelha interna, relacionando-se, pois, com visão, audição e equilíbrio.
C) Fibras aferentes viscerais gerais — originam-se em visceroceptores e conduzem, por exemplo, impulsos relacionados com a dor visceral.
D) Fibras aferentes viscerais especiais — originam-se em receptores gustativos e olfatórios, considerados viscerais por estarem localizados em sistemas viscerais, como os sistemas digestivo e respiratório.

COMPONENTES EFERENTES

As fibras eferentes viscerais gerais pertencem à divisão parassimpática do sistema nervoso autônomo e terminam em gânglios viscerais, de onde os impulsos são levados às diversas estruturas viscerais.
Elas são, pois, fibras pré-ganglionares e promovem a inervação pré-ganglionar destas estruturas.
As fibras que inervam músculos estriados miotômicos são denominadas fibras eferentes somáticas.
Esta classificação encontra apoio na localização dos núcleos dos nervos cranianos motores, situados no tronco encefálico. 
Os núcleos que originam as fibras eferentes viscerais especiais têm posição muito diferente daqueles que originam as fibras eferentes somáticas ou viscerais gerais.

NERVO OLFATÓRIO (NC I)

Função: O nervo olfatório é um nervo sensitivo (olfato). 
É classificado como aferente visceral especial.
Tem início na mucosa olfatória, localizada no terço superior da cavidade nasal.
É formado por neurônios bipolares, cujo prolongamento periférico se estende para a mucosa, enquanto que o prolongamento central atravessa a lâmina cribriforme do osso etmóide, penetrando na fossa anterior do crânio.
Esses axônios fazem sinapse com células mitrais que formam os bulbos olfatórios.
Os axônios das células mitrais se projetam formando os tratos olfatórios, que após um curto trajeto se dividem em duas estrias olfatórias: medial e lateral.
A estria olfatória lateral envia os estímulos para o únco e giro parahipocampal.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

NERVO ÓPTICO (NC II)

Função: Sensitivo especial (aferente somático especial) — Isto é, o sentido especial da visão. 
Origina-se nas células ganglionares da retina.
Os axônios dessas células atravessam o canal óptico, alcançando a fossa média do crânio.
As fibras do nervo óptico sofrem cruzamento parcial, formando o quiasma óptico (estrutura pertencente ao hipotálamo).
As fibras provenientes da parte nasal da retina cruzam no quiasma óptico para o lado oposto, enquanto que as fibras da parte temporal da retina permanecem do mesmo lado.
Após o cruzamento das fibras no quiasma óptico, forma-se o trato óptico, que contém fibras cruzadas do olho contralateral (fibras da parte nasal da retina), e fibras não cruzadas do olho ipsilateral (fibras da parte temporal da retina).
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

NERVO OCULOMOTOR (NC III)

Funções: Motor somático (eferente somático geral) e motor visceral (contém fibras pré-ganglionares parassimpáticas eferente visceral geral). 
Classificando-se como aferente somático especial.
Possui dois núcleos no mesencéfalo.
Realiza a maior parte da inervação dos músculos extra-oculares. Alcança a orbita após atravessar a fissura orbitária superior.
Inerva os músculos:
Levantador da pálpebra, reto inferior, reto superior, reto medial e obliquo inferior.
Envia fibras autônomas parassimpáticas para a inervação do músculo ciliar (realiza acomodação visual) e o músculo esfincter da pupila (miose).
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

NERVO TROCLEAR (NC IV)

Função: Motor somático (eferente somático geral) para um músculo extrínseco do bulbo do olho (oblíquo superior).
O núcleo motor somático origina-se na face posterior do mesencéfalo, o único a ter origem posterior no tronco encefálico.
Atravessa a fissura orbital superior e entra na órbita, onde supre o músculo oblíquo superior — o único músculo extrínseco do bulbo do olho que usa uma roldana, ou tróclea, para redirecionar sua linha de ação (daí o nome do nervo).
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

NERVO TRIGÊMEO (NC V)

Funções: Sensitivo somático (geral) e motor somático (branquial) para derivados do 1º arco faríngeo. Sendo então considerado um nervo misto.
Origina-se na face lateral da ponte do mesencéfalo por meio de duas raízes: motora e sensitiva.
A raiz motora deste nervo acompanha o nervo mandibular, distribuindo-se aos músculos da mastigação e classificando-se como eferentes viscerais especiais.
 
Os três ramos ou raízes do nervo trigêmeo, responsáveis pela sensibilidade somática geral de grande parte da cabeça, são:
 
V.1 – Nervo Oftálmico: Responsável pela sensibilidade da cavidade orbital e seu conteúdo. Possui três ramos terminais: nasociliar, frontal e lacrimal.
V.2 – Nervo Maxilar: Inerva as partes moles compreendidas entre a pálpebra inferior, nariz e lábio superior.
V.3 – Nervo Mandibular: É bastante ramificado, tendo como principais ramos o nervo lingual, que proporciona a sensibilidade geral dos 2/3 anteriores da língua, e o nervo alveolar inferior, que percorre o interior do osso Mandibular.
Todas as divisões são sensitivas, exceto a V.3  que é mista (motora e sensitiva).
O n. trigêmeo é responsável pelas sensibilidades geral e proprioceptiva da cabeça, cavidades nasal e oral e, inervação dos músculos da mastigação (m. masseter, m. temporal, m. pterigóideo lateral e m. pterigóideo medial), e ventre anterior do músculo digástrico.
Estas ramificações do nervo trigêmeo conduzem tanto impulsos exteroceptivos (temperatura, pressão, dor, tato), como propioceptivos (originados em receptores localizados nos músculos da mastigação e na ATM).
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

NERVO ABDUCENTE (NC VI)

Função: Motor somático (eferente somático geral) para um músculo extrínseco, o reto lateral do olho. Responsável pela abdução do olho (desvio lateral). 
Origina-se na ponte, perto do plano mediano. Atravessa o anel tendíneo comum quando entra na órbita, seguindo sobre e penetrando a face medial do músculo reto lateral, que abduz a pupila.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

NERVO FACIAL (NC VII)

Funções: Sensitivo — sensitivo especial (paladar) e sensitivo somático (geral). Motor — motor somático (branquial) e motor visceral (parassimpático). 
É considerado portanto, um nervo misto.
O n. facial emerge da junção da ponte com o bulbo como duas divisões: contém uma grande raiz motora e uma pequena raiz sensitiva (denominada de n. intermédio).
O n. facial entra no meato acústico interno (junto do n. vestibulococlear), atravessa a parede posterior da cavidade timpânica (orelha média), local onde emite um ramo denominado de n. corda do tímpano (que se liga ao nervo lingual do trigêmeo), suprindo os dois terços anteriores da língua (inervação gustativa).
O n. facial deixa o crânio pelo forame estilomastóideo, emite ramos para os músculos estilo-hióideo e o ventre posterior do músculo digástrico. Atravessa o parênquima da glândula parótida (sem inervá-la), e na margem anterior dessa glândula se divide em cinco ramos terminais, que se distribuem para os músculos da expressão facial (incluindo o m. platisma do pescoço).
A curva aguda, o joelho do nervo facial, é o local do gânglio geniculado, gânglio sensitivo do n. facial. 
Ao atravessar o temporal dentro do canal facial, o n. facial dá origem ao: nervo petroso maior, nervo para o músculo estapédio, nervo corda do tímpano.
 
Os ramos terminais são: temporais, zigomáticos, bucais, marginal da mandíbula e cervical.
O n. facial apresenta componentes autônomos parassimpáticos que suprem as glândulas submandibulares, sublinguais e lacrimais.
As fibras desse nervo classificam-se como aferentes viscerais especiais e eferentes viscerais gerais.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

NERVO VESTIBULOCOCLEAR (NC VIII)

Funções: É um nervo sensitivo, formado pelos nervos: vestibular e coclear.
Suas fibras se originam da orelha interna nas cristas ampulares do vestíbulo (n. vestibular), e no ducto coclear (n. coclear).
Atravessam o meato acústico interno (junto do n. facial).
Este nervo está relacionado com o equilíbrio (posição e manutenção da cabeça em relação ao tronco) e a audição.
As fibras desse nervo classificam-se como aferentes somáticas especiais.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

NERVO GLOSSOFARÍNGEO (NC IX)

Funções: É um nervo misto. Sua parte sensitiva recebe informações provenientes do terço posterior da língua, úvula, faringe.
Inerva os músculos estilofaríngo e o constritor superior da faringe.
Apresenta inervação especial para a língua (gustação do 1/3 posterior), e componente autônomo parassimpático, inervando a glândula parótida.
O nervo glossofaríngeo emerge do sulco póstero-lateral do bulbo, atravessa o forame jugular (junto aos nervos vago e acessório, e a veia jugular interna).
Esse Nervo também é responsável pela inervação da glândula Parótida através de fibras eferentes viscerais gerais.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

NERVO VAGO (NC X)

O nervo vago (do latim vagus  errante) era denominado de pneumogástrico, por seu trajeto pelas regiões torácica e abdominal.
Funções: O nervo vago é um nervo misto, o maior nervo craniano e parassimpático do corpo.
Sua origem é na fossa rombóide, no trígono do nervo vago (local do seu núcleo).
Emerge no sulco póstero-lateral do bulbo e deixa a cavidade craniana pelo forame jugular. 
Desce no pescoço posteriormente a veia jugular interna. 
Cruza anteriormente a artéria subclávia (medialmente ao nervo frênico). 
Atravessa a cavidade torácica, posteriormente ao hilo do pulmão.
Distribui-se na cavidade abdominal até a flexura esquerda do colo. 
Inerva (estímulos parassimpáticos) as vísceras do pescoço, tórax e abdome (até o final do colo transverso).
Brotos do nervo laríngeo interno, um ramo do nervo vago (NC X), são responsáveis sobretudo pela sensibilidade geral, mas também por parte da sensibilidade especial, de uma pequena área da língua imediatamente anterior à epiglote.
Assim como os nervos facial e glossofaríngeo, o nervo vago apresenta fibras classificadas como aferentes viscerais especiais e eferentes viscerais gerais.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

NERVO ACESSÓRIO (NC XI)

Funções: É um nervo motor, com duas raízes (uma bulbar, outra espinal).
A origem da raiz espinal do nervo acessório é proveniente da coluna anterior da  medula espinal (dos cinco primeiros segmentos medulares).
Essa raiz ascende em direção ao forame magno, entrando na cavidade craniana e, une-se com a raiz bulbar.
Juntas, as raízes deixam a cavidade craniana por meio do forame jugular.
No pescoço o nervo acessório está localizado profundamente ao músculo esternocleidomastóideo, seguindo o trajeto sobre o músculo levantador da escápula. 
Supre os músculos esternocleidomastóideo e trapézio. 
As fibras deste nervo são eferentes viscerais especiais e gerais.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

NERVO HIPOGLOSSO (NC XII)

Do grego hypo – abaixo, glossa – língua). 
Função: É um nervo motor, suprindo os músculos da língua.
Origina-se do núcleo do nervo hipoglosso, localizado no trígono do nervohipoglosso (no bulbo). 
Atravessa o canal do nervo hipoglosso. 
Envia fibras nervosas que se comunicam com a alça cervical.
Suas Fibras são consideradas eferentes somáticas.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
KAHLE: Kahle W, Frotscher M. Color Atlas and Textbook of Human Anatomy, vol 3. Nervous systems and sensory organs. New York: Thieme, 2003.
MACHADO: Machado A. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro/São Paulo: Atheneu, 1991.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
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