osteologia

Osteologia, em sentido restrito é etimologicamente, o estudo dos ossos articulados ou individualmente.
Em sentido mais amplo in­clui o estudo das formações intimamente ligadas ou re­lacionadas com os ossos, com eles formando um todo: o esqueleto.

Conceito de esqueleto

Este, a julgar pelo emprego rotineiro do termo, po­deria significar a simples reunião dos ossos, mas na realidade transcende este sentido significando “arca­bouço” (daí esqueleto fibroso do coração, esqueleto cartilagíneo, etc.).
Assim sendo, podemos definir o es­queleto como o conjunto de ossos e cartilagens que se interligam para formar o arcabouço do corpo do ani­mal e desempenhar várias funções. Por sua vez os ossos são definidos como peças rijas, vivas, que em conjunto, constituem o esqueleto.
O osso é formado por tecido conjuntivo especializado (tecido conjuntivo calcificado).
A parte orgânica do tecido constitui 30% do tecido ósseo, formada por células (2%) e matriz orgânica (98%, sendo 95% de fibras colágenas tipo I).
A parte inorgânica (mineral) constitui 70%, formada praticamente por cristais de hidroxiapatita.
Esse arranjo torna o tecido ósseo extremamente resistente, suportando força de tração similar ao ferro, com um terço do peso e a metade da flexibilidade do aço.

Funções do esqueleto

Como funções importantes para o esqueleto, pode­mos apontar:
Proteção (para órgãos como o coração, pulmões e sistema nervoso central);
Rigidez e forma do corpo;
Local de armazenamento de íons Ca+ e K (durante a gravidez a calcificação fetal se faz, em grande parte, pela reabsorção destes elementos ar­mazenados no organismo materno);
Sistema de alavan­cas que movimentadas pelos músculos permitem os des­locamentos do corpo, no todo ou em parte e, finalmen­te;
Hematopoiese / hematopoese (produção de certas células do sangue).

Classificação dos ossos

Há várias maneiras de classificar os ossos.
Eles podem, por exemplo, ser classificados pela sua posi­ção topográfica, reconhecendo-se ossos axiais (que per­tencem ao esqueleto axial) e apendiculares (que fazem parte do esqueleto apendicular).
Entretanto, podemos estabelecer critérios para classificar os ossos de acordo com sua forma, levando em consideração suas dimensões (comprimento, largura e espessura).
A classificação quanto à forma segue abaixo:

ossos Longos

São aqueles que apresentam um comprimento consideravelmente maior que a largura e a espessura.
Exemplos típicos são os ossos do esqueleto apendicular: fêmur, úmero, rádio, ulna, tíbia, fíbula, falanges.
Observe como o osso longo apresenta duas extremidades, denominadas epífises e um corpo, a diáfise.
Este possui, no seu interior, uma cavidade — canal medular, que aloja a medula óssea (figura).
Por esta razão os ossos longos são também chamados tubula­res
Nos ossos em que a ossificação ainda não se completou, é possível visualizar entre a epífise e a diáfise um disco cartilaginoso – cartilagem epifisial, relacionado com o cres­cimento do osso em comprimento.

Ossos alongados

Possuem o comprimento maior que a largura e espessura, são semelhantes aos ossos longos, porém não possuem canal medular e são curvados.
Ex: clavículas e costelas.

Ossos Laminares - Planos - chatos

São os que apresentam comprimen­to e largura equivalentes, sendo maiores que a espessura
Ossos do crânio, como o parie­tal, frontal, occipital e outros como a escápu­la e o osso do quadril, são exemplos bem demonstrativos.

Ossos Curtos

Nenhuma das dimensões é predominante, o comprimento, a largura e a espessura são semelhantes.
Ex: ossos do carpo e do tarso.

Ossos Irregulares

Apresentam uma morfologia complexa que não encontra forma geométrica conhecida.
As vértebras e o osso esfenoidal são exemplos marcantes.

Ossos Pneumáticos

Apresentam uma ou mais cavidades, de volume variável revestidas de mucosa e contendo ar.
Estas cavidades recebem o nome de seio. 
Os ossos pneumáticos estão situados no crânio, são eles:
Frontal, maxila, temporal, etmóide e esfenóide.

Ossos Sesamóides

Desenvolvem-se na substância de certos tendões ou da cápsula fibrosa que envolve certas articulações.
Os primeiros são chamados intratendínios e os segundos peri-articulares. 
A patela é um exemplo típico de osso sesamóide intratendínio.

Ossos supranumerários

Variações anatômicas no número de ossos, ossos que aparecem a mais no esqueleto.
Ex: fabela – osso sesamóide supranumerário, localizado no tendão do músculo gastrocnêmio lateral (posterior ao joelho).

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Divisão do esqueleto

O esqueleto pode ser dividido em duas grandes porções.
Uma mediana, formando o eixo do corpo, e composta pelos ossos da cabeça, pescoço e tronco (tó­rax e abdome): é o esqueleto axial (em azul na imagem).
Outra, “pendurada” a esta, forma os membros e constitui o esqueleto apen­dicular (em amarelo na imagem).
A união entre estas duas porções se faz por meio de cinturas:
Escapular (ou torácica, constituída pela escápula e clavícula) e pélvica constituída pelos ossos do quadril (coxais).

Número de ossos

No indivíduo adulto, idade na qual se considera completado o desenvolvimento orgânico, o número de ossos é de 206.
Para efetuarmos a contagem, vamos novamente dividir o esqueleto em axial e apendicular.

Esqueleto axial

O esqueleto axial (do latim axis = eixo) é formado pelos ossos que estão no eixo do corpo, com um total de 80 ossos.

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Esqueleto apendicular

O esqueleto apendicular (apêndice, do latim appendix = o que pende), forma o esqueleto dos membros superiores e inferiores, com um total de 126 ossos.
Este número, todavia, varia, se levar­mos em consideração os seguintes fatores:
A) Fatores etários — Do nascimento à senilidade há uma diminuição do número de ossos.
Isto se deve ao fato de que, certos ossos, no recém-nascido, são formados de partes ósseas que se soldam durante o desenvolvimento do indivíduo para constituir um osso único no adulto.
Assim, o osso frontal é formado por duas porções, separado no plano mediano.
B) Fatores individuais — Em alguns indivíduos pode haver persistência da divisão do osso frontal no adulto e ossos extranumerários po­dem ocorrer, determinando variação no nú­mero de ossos.
C) Critérios de contagem — Os anatomistas uti­lizam às vezes critérios muito pessoais para fazer a contagem do número de ossos do es­queleto e isto explica a divergência de resul­tados quando os comparamos.
Assim, os ossos chamados sesamóides (inclusos em tendões musculares) são computados ou não na conta­gem global, segundo o autor.
O mesmo para os ossículos da audição, localizados na orelha média, as vezes contados e outras vezes não.
Como também para os ossos da pelve, que apesar de serem nomeados em 3 estruturas (íleo, ísquio e púbis), são contabilizados como apenas 1 osso, ou seja, apenas pelve.

TERMINOLOGIA UTILIZADA NO ESTUDO DA OSTEOLOGIA

O estudo dos detalhes anatômicos de cada osso requer tempo e paciência.
Muitas estruturas se relacionam com o esqueleto. 
A musculatura esquelética fixa-se nos ossos; vasos e nervos transitam próximos de sua superfície; ligamentos prendem-se nas extremidades ósseas; algumas vísceras usam os ossos como ponto de apoio.
Devido a isso os ossos apresentam marcações, elevações, protuberâncias, áreas abertas para passagens de feixes vasculonervosos, sendo denominado de acidentes ósseos. Para facilitar o estudo e a compreensão dos acidentes ósseos, abaixo temos uma lista com os principais termos utilizados em osteologia:

Linha – margem óssea suave;
Crista – margem óssea proeminente;
Tubérculo – pequena saliência arredondada;
Tuberosidade – média saliência arredondada;
Trocanter – grande saliência arredondada;
Maléolo – saliência óssea semelhante à cabeça de um martelo;
Espinha – projeção óssea afilada;
Processo – projeção óssea;
Ramo – processo alongado;
Faceta – superfície articular lisa e tendendo a plana;
Fissura – abertura óssea em forma de fenda;
Forame – abertura óssea arredondada;
Fossa – pequena depressão óssea;
Cavidade – grande depressão óssea;
Sulco – depressão óssea estreita e alongada;
Meato – canal ósseo;
Côndilo – proeminência elíptica que se articula com outro osso;
Epicôndilo – pequena proeminência óssea situada acima do côndilo;
Cabeça – extremidade arredondada de um osso longo, geralmente separada do corpo do osso através de uma região estreitada denominada colo.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
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