S.N.C. – Medula espinal

A parte central do sistema nervoso ou sistema nervoso central (SNC) é formada pelo encéfalo e pela medula espinal.

Os principais papéis do SNC são integrar e coordenar os sinais neurais que chegam e saem e realizar funções mentais superiores, como o raciocínio e o aprendizado.

A medula espinal é a parte do tubo neural que sofreu menos alterações durante o desenvolvimento.

A medula ocupa parcialmente o canal vertebral, terminando em uma porção cônica, o cone medular, na altura de LI nos adultos (variações anatômicas podem ocorrer, e o término pode ser em TXII ou LIII).

No recém nascido, a medula espinal se estende até a altura do disco intervertebral LII-LIII.

Seu início é abaixo do bulbo, na altura do forame magno.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

intumescências

São dilatações de forma cilíndrica, achatada ântero-posteriormente.

Em duas regiões, a medula espinal apresenta essas dilatações.

Sendo na região cervical (entre os segmentos CIV e TI), dilatação denominada de intumescência cervical e; na região lombossacral (entre os segmentos LI e SIV), denominada de intumescência lombossacral ou simplesmente lombar.

As intumescências contêm um maior número de neurônios, destinados a inervação dos membros.

Segmentos medulares

A medula espinal apresenta 31 segmentos, em cada um dos segmentos se origina um par de nervos espinais.

A divisão dos segmentos para cada região da medula espinal é:

8 segmentos cervicais: o primeiro par de nervos espinais emerge entre o osso occipital e a margem superior do atlas, desta forma entre as vértebras CVII e TI está localizado o oitavo par de nervos cervicais.

12 segmentos torácicos: que originam 12 pares de nervos espinais torácicos, que emergem nos forames intervertebrais, inferiormente a sua vértebra correspondente.

5 segmentos lombares: que originam cinco pares de nervos espinais lombares, que emergem nos forames intervertebrais, inferiormente a sua vértebra correspondente.

5 segmentos sacrais: que originam cinco pares de nervos espinais sacrais.

1 segmento coccígeo: que origina um par de nervos espinais coccígeo.

MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Topografia vertebromedular

A medula espinal não tem o mesmo tamanho que a coluna vertebral, desta forma, seus segmentos não são totalmente correspondentes com as regiões da coluna vertebral.

A diferença de tamanho da medula espinal em relação à coluna vertebral influencia na emergência dos nervos espinais.

Os nervos espinais mais superiores (cervicais e torácicos altos) apresentam emergência da medula em um plano quase que perpendicular, enquanto que, os nervos mais inferiores (torácicos baixos, lombares, sacrais e coccígeos) emergem obliquamente.

Os nervos lombares, sacrais e coccígeos formam a cauda equina, dentro do revestimento meníngeo.

Na região cervical os segmentos da medula espinal são praticamente correspondentes as vértebras cervicais.

Na região torácica os segmentos medulares estão localizados dois níveis acima em relação as vértebras (exemplo: segmento medular T6 está na altura da vértebra TIV), desta forma os segmentos medulares T11 e T12 estão na altura das vértebras TIX e TX.

Os segmentos lombares da coluna vertebral estão localizados na altura de TXI e TXII

Os segmentos sacrais e coccígeos na altura de LI.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Disposição de substâncias branca e cinzenta na medula espinal

Na medula espinal a substância branca está localizada externamente, enquanto que, a substância cinzenta é interna.

substância branca

A substância branca é constituída por fibras nervosas mielínicas que possuem direção ascendente ou descendente.

Está separada por funículos, pelos sulcos da superfície da medula.

Nos funículos encontramos os principais tratos ou fascículos (vias) de condução de estímulos.

Funículo anterior: localizado entre a fissura mediana anterior e o sulco ântero-lateral.

 

Tratos ou fascículos:

trato espinotalâmico anterior (via para o tato protopático e pressão);

trato corticospinal anterior (via motora, não cruzada na decussão das pirâmides);

trato tetospinal (movimento reflexos da cabeça por estímulos visuais);

trato reticulospinal anterior (relacionado com movimentos posturais);

trato vestibulospinal anterior (controle sobre a musculatura para a manutenção do equilíbrio).

 

 

Funículo lateral: localizado entre os sulcos ântero-lateral e póstero-lateral.

 

Tratos ou fascículos:

trato espinotalâmico lateral (temperatura e dor);

tratos espinocerebelares anterior e posterior (propriocepção inconsciente);

trato corticospinal lateral (via motora, cruzada na decussação das pirâmides);

trato reticulospinal lateral (relacionado com movimentos posturais e marcha);

trato rubrospinal (controle dos músculos distais).

 

 

Funículo posterior: localizado entre os sulcos póstero-lateral e mediano

Esse funículo é subdividido pelo sulco e septo intermédio posterior em duas áreas, fascículo grácil (medialmente), e o fascículo cuneiforme (lateralmente).

O fascículo grácil (do latim gracilis – delgado) estende-se por toda a medula espinal, carregando informações proprioceptivas conscientes e tato epicrítico dos membros inferiores e metade inferior do tronco.

O fascículo cuneiforme (do latim cuneos – cunha, e formis – forma de) se forma na região torácica alta, seguindo para a região cervical da medula. Conduz estímulos proprioceptivos conscientes e tato epicrítico da parte superior do tronco e membros superiores.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

substância cinzenta

A substância cinzenta da medula é constituída por corpos de neurônios, fibras nervosas amielínicas e células gliais.

Apresenta a forma da letra H, a parte transversal do H é denominado de corno ou coluna intermédia, enquanto que, as barras do H são cornos ou colunas anteriores e posteriores.

As colunas anteriores e posteriores são encontradas em todos os segmentos da medula espinal, as primeiras são motoras e, as segundas sensitivas.

Nas regiões torácica e lombar alta é encontrada a coluna lateral (contém neurônios pré-ganglionares simpáticos).

 

Coluna anterior: apresenta um grande número de neurônios das regiões cervical e lombossacral, nessas regiões as colunas anteriores apresentam dois grupos de neurônios, o grupo medial (para os músculos proximais dos membros), e o grupo lateral (para os músculos distais dos membros).

Na região torácica, as colunas anteriores apresentam um único agrupamento de neurônio (medialmente), para os músculos axiais.

 

Coluna posterior: recebe estímulos sensitivos.

As diferentes categorias sensitivas alcançam a coluna posterior em pontos determinados.

No ápice da coluna posterior as aferências são do trato espinotalâmico, para a modulação de dor (área conhecida como substância gelatinosa).

 

Coluna lateral: localiza nas regiões torácica e lombar alta.

Formada pelos corpos celulares dos neurônios pré-ganglionares simpáticos.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

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Revestimento da medula espinal

A medula espinal é revestida pelas meninges.

A meninge que está em contato direto com a medula espinal é a pia-máter, essa meninge forma no término da medula espinal um prolongamento, denominado de filamento terminal.

As outras meninges são a dura-máter (externa) e a aracnóide-máter (entre a dura-máter e pia-máter).

A dura-máter e a aracnóide-máter se projetam mais inferiormente em relação à medula espinal.

A medula espinal termina na altura de LI, enquanto que, a dura-máter e aracnóide-máter se estendem até a altura de SII, formando o saco dural.

O filamento terminal desce dentro do saco dural, na altura de SII se incorpora a dura-máter, formando o ligamento coccígeo da medula espinal.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

vascularização

Irrigação arterial da medula espinal

A medula espinal é irrigada basicamente por três artérias espinais, uma anterior e duas posteriores.

As artérias espinais apresentam disposição longitudinal e, anastomosam-se com as artérias radiculares (provenientes das artérias vertebrais e aorta).

Artéria espinal anterior: se origina das artérias vertebrais, na cavidade craniana.

Desce longitudinalmente na medula espinal, alojada na fissura mediana anterior da medula, distribuindo ramos medulares mediais e laterais.

Artérias espinais posteriores: cada uma se origina da sua respectiva artéria vertebral.

Posteriormente, a artéria espinal posterior contorna a face lateral do bulbo, alcançando o sulco póstero-lateral.

Nesse sulco tem trajeto descendente pela medula espinal.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Drenagem venosa da medula espinal

As veias da medula espinal são acompanhantes das artérias espinais.

As veias espinais são as anteriores e posteriores, com trajeto longitudinal na medula espinal.

As veias espinais se anastomosam com as veias radiculares e com o plexo venoso vertebral interno (localizado no espaço extradural).

O plexo venoso vertebral interno se anastomosa superiormente com os seios da dura-máter e com o plexo venoso vertebral externo.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

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