O suprimento arterial do abdome é todo proveniente da a. aorta, que torna-se aorta abdominal após passar pelo hiato aórtico do diafragma ao nível de T12, tem aproximadamente 13 cm de comprimento e termina no nível da vértebra L4, dividindo-se nas artérias ilíacas comuns direita e esquerda.
A artéria ilíaca interna entra na pelve.
A artéria ilíaca externa segue o músculo iliopsoas.
Logo antes de deixar o abdome, a artéria ilíaca externa dá origem às artérias epigástrica inferior e circunflexa ilíaca profunda, que irrigam a parede anterolateral do abdome.
Pode-se descrever que os ramos da parte descendente da aorta (torácica e abdominal) originam-se e seguem nos três planos vasculares”, e podem ser classificados como:
Gray's Anatomy, 1ª edição, 2011.
Um plano mediano anterior de ramos viscerais ímpares para o intestino (sistema digestório embrionário) e seus derivados (A);
Planos laterais de ramos viscerais pares que irrigam outras vísceras além do intestino e seus derivados (B);
Planos póstero-laterais de ramos parietais (segmentares) pares que suprem a parede do corpo (C).
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Artérias frênicas inferiores

Formam a primeira ramificação da aorta abdominal, surgindo de sua parede anterior (mas é considerado posterior) ao nível de T12. 
É um par com sentido ascendente, composto pela artéria frênica inferior direita, que passa atrás do esôfago, e artéria frênica inferior esquerda, que corre atrás da veia cava inferior. 
Elas são responsáveis por irrigar a face inferior do diafragma, mas também emitem ramos para o fígado (ramo direito), esôfago e baço (ramo esquerdo). 
Além disso, emitem as artérias supra-renais superiores.
Gray's Anatomy, 1ª edição, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Tronco celíaco

Sai da parede anterior da aorta abdominal (no nível do hiato aórtico) e irriga os órgãos formados pelo intestino anterior, ou seja:
Esôfago abdominal, estômago, duodeno (da parte superior à papila maior do duodeno), fígado, vesícula biliar, pâncreas e baço. 
Surge ao nível de T12 e após seu curto trajeto divide-se imediatamente em artérias gástrica esquerda, esplênica e hepática comum.
Destes ramos, dois vão para a esquerda (gástrica esquerda e esplênica) e um para o lado direito (hepática comum). 
Coletivamente, eles são o principal suprimento arterial para as vísceras abdominais, com exceção dos rins.
Gray's Anatomy, 1ª edição, 2011.

artéria gástrica esquerda

A artéria gástrica esquerda é o menor ramo, ela sobe em direção à junção cardioesofágica emite ramos esofágicos e depois segue a curvatura menor do estômago para se anastomosar com a a. gástrica direita.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

artéria esplênica

A artéria esplênica surge do tronco celíaco logo abaixo da artéria gástrica esquerda. 
Em seguida, viaja para a esquerda em direção ao baço, correndo atrás do estômago e ao longo da margem superior do pâncreas. 
Por fim, atravessa o ligamento esplenorrenal, entra no hilo esplênico e termina em cinco ramos que suprem os segmentos do baço.
Além de suprir o baço, a artéria esplênica também dá origem a vários vasos importantes:
 
Artéria gastro-epiplóica esquerda (gastro-omental esq.): Fornece suprimento para a curvatura maior do estômago. Anastomosa-se com a artéria gastro-epiplóica direita (gastro-omental dir.).
Artérias gástricas curtas: De 5 a 7 pequenos ramos suprindo o fundo do estômago.
Ramos pancreáticos: suprem o corpo e a cauda do pâncreas.
A artéria esplênica tem uma aparência tortuosa (semelhante ao ramo facial da artéria carótida externa) e, portanto, é facilmente identificável de outros vasos próximos.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

artéria hepática comum

A artéria hepática comum é o único suprimento arterial para o fígado, é o único ramo do tronco celíaco que se direciona para o lado direito.
Ao passar pela parte superior do duodeno, divide-se em seus dois ramos terminais: a artéria hepática própria e a. gastroduodenal.
Cada uma dessas artérias tem múltiplos ramos e a variação no arranjo desses ramos é comum.
Artéria hepática própria:
A artéria hepática própria sobe através do omento menor em direção ao fígado. Dá origem a:
 
Artéria gástrica direita: Fornece sangue para o piloro e a curvatura menor do estômago.
Artérias hepáticas direita e esquerda: Dividem-se abaixo da veia porta hepática e suprem seus respectivos lobos do fígado.
Artéria cística: Ramo originário da artéria hepática direita – fornece sangue para a vesícula biliar.
Artéria gastroduodenal: Desce posterior à porção superior do duodeno. Seus ramos são:
    Artéria gastro-epiplóica direita: fornece a maior curvatura do estômago. É encontrada entre as camadas do omento maior, ao qual também fornece suprimento sanguíneo.
    Pancreaticoduodenal superior: Divide-se em um ramo anterior e posterior, que fornece suprimento para a cabeça do pâncreas.

Anastomoses

Estômago

O estômago é o único órgão a receber suprimento arterial de todos os três ramos do tronco celíaco. 
Isto é conseguido através de um sistema de anastomoses ao longo das curvaturas maiores (artérias gastro-epiplóicas) e menores (artérias gástricas).
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Pâncreas e duodeno

As artérias pancreaticoduodenais formam uma rede de artérias que circundam e suprem a cabeça do pâncreas e o duodeno.
Existem duas artérias principais – cada uma com um ramo anterior e posterior, que se anastomosam (por exemplo, ântero-sup. e ântero-inf.) formando uma estrutura/ligação em anel:
    Pancreaticoduodenal superior: Ramo derivado da artéria gastroduodenal.
    Pancreaticoduodenal inferior: Ramo derivado da artéria mesentérica superior (AMS).
Como exceção, a artéria supraduodenal supre a parte superior do duodeno.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artérias supra-renais médias

Surgem ao nível de L1, perto do nível de origem da artéria mesentérica superior. 
É responsável por irrigar as supra-renais juntamente com as artérias supra-renais superiores (ramo das artérias frênicas inferiores) e inferiores (ramos das artérias renais).
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artérias renais

Originam-se no nível entre as vértebras L1 e L2.
Tipicamente, cada artéria renal divide-se perto do hilo renal em cinco artérias segmentares, que são artérias terminais.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
São distribuídas seguinte modo:
 
Artéria do segmento superior (apical); 
Artéria do segmento anterior superior
Artéria do segmento anterior inferior
Artéria do segmento inferior
E artéria segmentar posterior.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artéria mesentérica superior

Geralmente origina-se da parte abdominal da aorta no nível da vértebra L1, cerca de 1 cm inferior ao tronco celíaco, e segue entre as camadas do mesentério, enviando 15 a 18 ramos para o jejuno e o íleo
Emite imediatamente a artéria pancreáticoduodenal inferior, que divide-se em anterior e posterior, irriga o duodeno e a cabeça e o processo uncinado do pâncreas, por fim indo anastomosar-se com as artérias pancreáticoduodenais superior anterior e posterior do tronco celíaco.
As artérias se unem para formar alças ou arcos, chamados arcos arteriais, que dão origem a artérias retas, denominadas vasos retos.
 
Para o lado direito, ela emite três ramos:
 
Artéria cólica média, ela penetra no mesocolo transverso e divide-se em ramos direito e esquerdo; 
Artéria cólica direita, responsável pela vascularização do colo ascendente, e envia ramos ascendente e descendente; 
E a artéria íleocólica (íleocecocólica), que passa à direita da fossa ilíaca direita e emite ramos que vão irrigar o íleo terminal, ceco, apêndice e colo ascendente.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artérias gonadais

São originadas na parede anterior da aorta abdominal, inferior às artérias renais, ao nível de L2, e tem como função  irrigar as gônadas. 
Dessa forma, nos homens elas passam a se chamar artérias testiculares e nas mulheres, artérias ováricas.
Seu trajeto acompanha o músculo psoas maior, cruzando anteriormente o ureter e a porção inferior das artérias ilíacas externas, e passando posteriormente aos ramos das mesentéricas.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artéria mesentérica inferior

Surge na altura de L3, próximo à borda inferior do duodeno, 3-4 cm acima de onde a a. aorta se bifurca nas artérias ilíacas comuns.
Tem origem na parede anterior da aorta abdominal e vasculariza os órgãos formados pelo intestino posterior, ou seja, 1/3 final do colo transverso, flexura esplênica, colo descendente, colo sigmóide, reto e parte superior do canal anal.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artérias lombares

São geralmente quatro pares que surgem da parede posterior da aorta abdominal ao nível de L1 a L4, e irriga a parede abdominal posterior e a coluna vertebral.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artéria sacral mediana

Uma única artéria que surge ao nível de L4 da parede posterior da aorta abdominal pouco antes desta se bifurcar.
Sua trajetória é inferior, inicialmente sobre as vértebras lombares, e depois sobre o sacro e cóccix.
Dá origem a ramos que se anastomosam com as as artérias sacrais laterais.
Também origina ramos posteriores ao reto que se anastomosam com as artérias retal superior e média.
A artéria sacral mediana pode ser considerada um pequeno prosseguimento da a. aorta, que continua a dar origem a pares de ramos parietais para as vértebras lombares inferiores e o osso sacro.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Artérias ilíacas comuns

A aorta abdominal bifurca-se em artéria ilíaca comum direita e artéria ilíaca comum esquerda ao nível de L4.
Essas, por sua vez, dividem-se em artéria ilíaca interna e externa.
A artéria ilíaca interna divide-se em seguida em anterior e posterior.
Ela vasculariza as paredes e vísceras da pelve, nádegas e órgãos reprodutores, além do compartimento medial da coxa.
A artéria ilíaca externa irriga regiões da pelve, períneo e membro inferior.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
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