Fontanelas ou fontículos

As fontanelas  ou fontículos são espaços situados entre os ossos do crânio dos recém-nascidos e fetos. 

São vulgarmente chamados “mo­leiras“. 

Desaparecem quando se completa a ossificação dos ossos do crânio.

No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, a quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior, explican­do a grande separação entre os ossos e uma maior mobilidade.

É isto que permite, no momento do parto, uma redução bastante apreciável do volume da cabe­ça fetal pelo “cavalgamento“, digamos assim, dos ossos do crânio. 

Esta redução de volume facilita a expulsão do feto para o meio exterior.

O bebê ainda não atingiu o desenvolvimento completo do seu crânio no momento do nascimento e as fontanelas permitem que o osso do crânio continue a crescer até chegar ao seu tamanho adulto.

Existem quatro tipos de fontanelas nos recém-nascidos:

  • Ântero-lateral (Esfenoidal);
  • Póstero-lateral (Mastoide)

Essas duas primeiras são simétricas e se localizam de cada lado do crânio;

  • Posterior, que se fecha já no segundo mês de vida do recém-nascido;
  • Por fim, a fontanela Anterior, que se fecha mais tarde, por volta dos 18 meses.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 7 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 7 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

O fechamento das fontanelas ocorre em épocas diferentes:

Fontículo posterior: 3º mês;

Fontículo anterolateral: 6º mês;

Fontículo posterolateral: 18º mês;

Fontículo anterior: 36º mês.

O fontículo posterior representa um ponto de referência para avaliar a posição da cabeça da criança durante o parto, bem como para avaliar a ocorrência de hipertensão craniana e estado de desidratação do bebê.;

O fontículo anterior permite a coleta de líquido cerebrospinal em lactentes (ex: em caso de suspeita de meningite).

PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

Deformações do crânio em caso de fechamento precoce das suturas.

O fechamento precoce das suturas pode ocasionar deformações características do crânio, que representam variações da norma, mas não são consideradas doenças. As seguintes suturas podem se fechar precocemente e causar deformações cranianas:

a – Sutura sagital (escafocéfalo = crânio em forma de canoa).

b – Sutura coronal (oxicéfalo = crânio pontudo).

c – Sutura escamosa ou frontal (trigonocéfalo = crânio triangular).

d – Fusão assimétrica de suturas, predominantemente sutura coronal (plagiocéfalo = crânio torto).

PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

Na craniossinostose verdadeira, o formato do crânio depende da sutura que está fechada.

O importante é observar o formato do crânio e da face e, principalmente, o desenvolvimento neurológico da criança. 

https://www.neuropedrj.com.br/post/o-desenvolvimento-do-cr%C3%A2nio-do-beb%C3%AA-ap%C3%B3s-o-nascimento

As vezes, o crânio do bebê modifica o formato devido ao apoio persistente em um dos lados da cabeça, sendo muito comum em prematuros.

Nesses casos, chamamos de plagiocefalia posicional ou postural e nada tem a ver com o verdadeiro fechamento de uma sutura do crânio.

Ocorre apenas, por apoio, movimentação progressiva das placas ósseas, como mostra a figura abaixo. O diagnóstico é clínico e em caso de dúvidas uma ultrassonografia de suturas pode ser suficiente. 

https://www.neuropedrj.com.br/post/o-desenvolvimento-do-cr%C3%A2nio-do-beb%C3%AA-ap%C3%B3s-o-nascimento

Hidrocefalia e Microcefalia.

a – Morfologia característica do crânio em caso de hidrocefalia. Quando o encéfalo é expandido devido ao aumento do líquido cerebrospinal antes da ossificação das suturas (hidrocefalia), o neurocrânio afetado aumenta, enquanto o viscerocrânio permanece inalterado.

b – Em caso de fechamento precoce das suturas ocorre a microcefalia. Observe o neurocrânio diminuto e as órbitas relativamente grandes.

PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
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