A irrigação e a drenagem venosa da parede anterolateral do abdome são extensas e apresentam muitas anastomoses (comunicações).

Artérias

O suprimento arterial da parede abdominal é segmental, seguindo o padrão da inervação (nervos toracoabdominais) e, principalmente, vem de fontes superiores e inferiores que se anastomosam:

Origens superiores (Tórax): A parede torácica superior, que inclui o abdome superior, é suprida pela artéria torácica interna, que desce na face interna da parede anterior.

Origens posteriores e inferiores:

    • As artérias intercostais posteriores e artérias subcostais originam-se da parte torácica da aorta e irrigam a porção posterior da parede abdominal.
    • As artérias seguem o padrão segmental do tronco. O nervo espinal T12, por exemplo, é o nervo subcostal, e é acompanhado pela artéria subcostal.
PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

Veias

A drenagem venosa é feita por veias que geralmente acompanham as artérias, sendo mais variáveis e anastomóticas do que as artérias.

Veias Profundas: Geralmente, as veias profundas nos membros (e no tronco, por analogia) tomam a forma de pares de veias acompanhantes que circundam a artéria correspondente. As veias profundas da parede abdominal drenam o sangue para o sistema cava (Veias cavas superior e inferior).

Veias Superficiais: A drenagem superficial corre na tela subcutânea e é bastante importante clinicamente.

PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
PROMETHEUS: Schünke, Michael. Coleção – Atlas de Anatomia 3 Volumes. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

Importância clínica das veias superficiais

A importância clínica das veias superficiais da parede abdominal reside, principalmente, no fato de elas funcionarem como uma “rota de fuga” (circulação colateral) quando há obstrução em vasos profundos vitais (como a veia porta ou a veia cava).

Em condições normais, estas veias são pouco visíveis.

Quando se tornam dilatadas e evidentes (varizes abdominais), elas oferecem pistas diagnósticas cruciais sobre doenças hepáticas ou vasculares graves.

Aqui estão os principais aspectos da sua importância clínica:

 

1. Sinal de hipertensão portal: “Cabeça de Medusa”

Esta é talvez a manifestação clínica mais famosa.

  • Problema: Quando o fígado está cirrótico e endurecido, o sangue da veia porta não consegue atravessá-lo. A pressão aumenta (hipertensão portal).

  • Mecanismo: O sangue tenta voltar para o coração por caminhos alternativos. Um desses caminhos é a recanalização das veias paraumbilicais (no ligamento redondo), que conectam o fígado diretamente ao umbigo.

  • Sinal clínico: As veias superficiais ao redor do umbigo se dilatam de forma radial (como os raios de sol ou as serpentes na cabeça da Medusa).

  • Diagnóstico: Indica uma anastomose porto-cava (ligação entre o sistema portal e o sistêmico).

Hipertensão portal: Cabeça de Medusa

2. Diagnóstico de obstrução da veia cava (cava-cava)

As veias superficiais também conectam a veia cava superior (tórax) à veia cava inferior (abdome/pelve). Se uma delas entope, as veias da pele do abdome servem de ponte.

A. Obstrução da veia cava inferior (VCI)

  • Causa: Trombose, compressão por tumor ou gravidez.

  • Sinal: As veias dos flancos (laterais do abdome) se dilatam, especialmente a veia toracoepigástrica.

  • Sentido do Fluxo: O sangue que não consegue subir pela VCI profunda sobe pela pele. O fluxo é de baixo para cima em toda a parede abdominal (mesmo abaixo do umbigo, onde normalmente desceria).

colaterais venosas na venografia
extensa circulação colateral venosa na obstrução da veia cava inferior

B. Obstrução da veia cava superior (VCS)

  • Causa: Tumores pulmonares ou mediastinais (síndrome da veia cava superior).

  • Sinal: O sangue da cabeça e braços não consegue descer pela via profunda. Ele desce pelas veias superficiais do tórax e abdome para entrar na VCI e chegar ao coração.

  • Sentido do Fluxo: O fluxo é de cima para baixo (reverso ao normal na parte superior do abdome).

NETTER: KAMINSKY, David. Coleção Netter de Ilustrações Médicas - Sistema Respiratório - Volume 3 . 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2014. 

3. Exame físico: Teste do sentido do fluxo

Para distinguir entre uma obstrução da veia cava e a hipertensão portal, o médico realiza uma manobra simples de esvaziamento da veia (Manobra de ordenha):

  1. Escolhe-se um segmento de veia visível.

  2. Com dois dedos, comprime-se a veia e afasta-se os dedos para esvaziar o sangue daquele trecho.

  3. Solta-se um dos dedos para ver de onde o sangue vem (preenchimento).

    • Enchimento vindo do umbigo para fora: Sugere hipertensão portal (Cabeça de Medusa).

    • Enchimento vindo de baixo para cima (na região inferior): Sugere obstrução da VCI.

4. Relevância Cirúrgica

  • Incisões Abdominais: Durante cirurgias (como cesáreas ou laparotomias), o cirurgião deve estar atento a essas veias. Se o paciente tem circulação colateral (veias dilatadas), cortar essas veias pode causar sangramento excessivo, pois elas estão sob alta pressão para compensar uma obstrução interna.

  • Laparoscopia: A transiluminação da parede abdominal é usada antes de inserir os trocartes (instrumentos de furo) para evitar lesionar os vasos epigástricos superficiais e profundos, prevenindo hematomas de parede.

Resumo Visual da Drenagem Venosa

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