ETIMOLOGIA DA PALAVRA ANATOMIA HUMANA

A anatomia (do latim ana = em partes, tomé = cortar) é a ciência que estuda a estrutura (macro e microscópica) de nosso corpo, sua constituição (células – tecidos – órgãos – sistemas – aparelhos) e seu desenvolvimento (fases da vida).   
O termo morfologia (morfo = forma) é empregado como sinônimo de anatomia.
Sendo que, na anatomia, a preocupação inicial é a descrição da forma.
O conhecimento da forma auxilia no entendimento de sua função.
Com a descoberta do microscópio desenvolveram-se ciências que, embora constituam especializações, são ramos da anatomia. Assim, como:
Citologia (estudo da célula);
Histologia (estudo dos tecidos e de como estes se organizam para a formação de órgãos);
E a Embriologia (estudo do desenvolvimento do indivíduo).
 
Do mesmo modo poder-se ainda considerar:
 
Anatomia Radiológica (que estuda os órgãos, quer no vivente, quer no cadáver, por meio dos Raios-X);
Anatomia Antropológica (que se ocupa dos tipos raciais);
Anatomia Biotipológica ou Constitucional (que se ocupa dos tipos morfológicos constitucionais);
Anatomia Comparativa (que se refere ao estudo comparado dos órgãos de indivíduos de espécies diferentes);
E uma Anatomia de Superfície (estudo dos relevos morfológicos na superfície do corpo do indivíduo).

Os sistemas que, em conjunto, compõem o organismo do indivíduo são os seguintes:

Alguns sistemas podem ser agrupados formando os aparelhos, ex:
A) aparelho locomotor: constituído pelos sistemas esquelético e muscular;
B) aparelho urogenital: constituído pêlos sistemas urinário e genital (masculino ou feminino).

MATERIAis DE ESTUDO ANATÔMICO

Para o estudo anatômico do corpo humano, o material utilizado é o cadáver ou as peças cadavéricas.
Atualmente, o conhecimento deve ser transposto diretamente para a utilização prática e clínica do estudante, tornando-se viável a utilização de modelos anatômicos sintéticos, softwares específicos, exames de imagem e anatomia de superfície, aproximando o conteúdo básico do específico.
A palavra cadáver é um velho acróstico latino. 
Caro data vermibus significa: carne dada aos vermes.
Ao ser manipulado em sala de aula, a peça merece respeito e cuidado, a exemplo do legado transmitido por Carl von Roktansky (1804-1878), médico e estudioso da anatomia patológica.
Dissector obsessivo, ele nos deixou uma das máximas da anatomia: a meditação ao cadáver desconhecido.

meditação Ao cadáver desconhecido:

“Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que esse corpo nasceu do amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança daquela que em seu seio agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens.
Por certo amou e foi amado, e sentiu saudades de outros que partiram, esperou um amanhã feliz, e agora jaz na fria lousa, sem que por ele se derramasse uma lágrima sequer, sem que houvesse uma só prece, seu nome só Deus o sabe, mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente.
Tu, que tivestes o teu corpo perturbado em teu descanso profundo, por nossas mãos ávidas de saber, o nosso respeito e agradecimento.”
Karl Von Rokitansky (1804-1878)

meditação Ao aluno desconhecido:

“Acorde estudante! Estás tão absorto… Afinal, aqui dentro, qual de nós é o morto? 
Calma! Não te assustes, sou eu quem te fala, mesmo porque só restamos nós dois nesta sala! Pega aí o seu banquinho, te acomodes aqui… Põe de lado estas pinças, guarde o teu bisturi!
Fiques bem à vontade, bata um papo comigo. Pois,  já que estudas em mim, quero ser seu amigo!
Já faz tempo que espero esta oportunidade de ouvir seus  lamentos, escutar tuas verdades. Sei que estás com problemas, eu já pude notar. O que é que há meu garoto, não vais mais estudar?
Eu me lembro, no início, eras tão sonhador, tu te chegavas, me estudavas com tanto fervor, que eu pensava comigo, este aí tem valor, há de ser bom médico, nunca vai ser DOUTOR.  
Mas, depois suas visitas foram rareando. Tu me olhavas de lado, ias te esquivando, e nos dias de aula, quando as manhãs iam altas, na  presença de todos eu sentia sua falta.
Sei que tens bons motivos, isto lá é verdade, mas,  vê se deixas de lado  esta sensibilidade!
Sim, eu sei que é um sentimento belo e profundo, mas do que adianta, tu vais mudar o mundo?
Não, não te preocupes, não te julgo vadio, sei que tu tens orgulho, sei que tem teu brio.
Sei que tua revolta não é comigo, e sim, contra este ENSINO FALIDO e DESUMANO que te é impingido.
Mas escuta menino, dê a volta por cima, veja quanta beleza tem esta medicina! Estas coisas de agora são ossos do ofício, valoriza a vitória, o maior sacrifício.
Tome em mim um exemplo, meu irmão querido, retroceda no tempo, que hás de me dar razão. Imagines, eu vivo e tu já formado, tendo a oportunidade de me haver curado.
E a gente batendo este papo em total alegria, sem que eu tivesse deitado nesta pedra fria.
Êpa, que é que eu estou vendo, estás chorando garoto? Vamos enxugar o pranto deste rosto maroto,
levante a cabeça e me dê um sorriso,
reaja com raça que isto  é preciso,
lá fora e te cubra com raios de sol,
se te virem chorando,
diga que foi o formol. “  
 
Autor desconhecido.

Conceitos anatômicos

Normal

É tudo aquilo que esta presente na maioria das pessoas, o mais frequente, um dado puramente estatístico que determina um padrão de normalidade.
(Ex. 5 dedos em uma mão, dois olhos, um nariz, etc.)

Variação anatômica

É uma diferença do normal que não prejudica em nada a função ou o indivíduo.
(Ex: ausência da veia intermédia do cotovelo).

Anomalia

É uma alteração morfológica, que difere do normal, trazendo prejuízo a função, porém é compatível com a vida.
(Ex: ter uma dedo a mais na mão, fenda palatina, irmãos siameses, etc.).

Monstruosidade

É uma alteração morfológica, que difere do normal, trazendo prejuízo a  função, sendo incompatível com a vida.

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Fatores gerais de variação

idade

As variações anatômicas ditas individuais devem-se acrescentar aquelas decorrentes da idade, do gênero, da etnia, do tipo constitucional (biótipo) e do ambiente. Estes são, em conjunto, denominados fatores gerais de varia­ção anatômica.

Gênero

É o caráter de masculinidade ou fe­minilidade. É possível reconhecer órgãos de um e de outro sexo, graças a características especiais, mesmo fora da esfera genital.

Etnia

É a denominação conferida a cada grupamento humano que possui caracteres físicos co­muns, externa e internamente, pêlos quais se distin­guem dos demais. Conhecem-se, por exemplo, repre­sentantes das raças Branca, Negra e Amarela e seus mestiços, ou seja, “o produto do seu entrecruzamento”.

Biótipo

É a resultante da soma dos caracteres herdados e dos caracteres adquiridos por influên­cia do meio e da sua interrelação. 
Os dois tipos extremos são chamados longilíneo e brevilíneo e sua comparação denota melhor as diferen­ças, tanto nos caracteres morfológicos internos quanto os externos, acarretando uma construção corpórea di­versa.
Os longilíneos são indivíduos magros, em geral al­tos, com pescoço longo, tórax muito achatado ântero-posteriormente, com membros longos em relação à al­tura do tronco.
Os brevilíneos são indivíduos fortes, em ge­ral baixos, com pescoço curto, tórax de grande dia metro ântero-posterior, membros curtos em relação à altura do tronco.
Os mediolíneos apresentam caracteres intermediários aos dos tipos precedentes.
Hiperestênico: É mais forte, a cavidade torácica é larga e profunda de ântero para posterior com uma dimensão vertical curta, indicando um diafragma alto, com a parte superior do abdome muito larga, afetando a localização de órgãos da cavidade abdominal.
Estênico:  Dentre as pessoas é o mais próximo da média, é ligeiramente forte e frequentemente musculoso.  
Os órgãos torácicos e abdominais estão mais próximos do normal.
Hipoestênico: Assim como o estênico, também é o mais próximo da média, porém, é mais magro e as vezes mais alto, no entanto a vesícula e o estomago estão mais baixos e estão mais próximos da linha central.
Astênico: Este biotipo é magro ao extremo com a cavidade torácica estreita e rasa, porém sua dimensão vertical é longa, indicando um diafragma baixo com a parte superior do abdome mais estreita no topo.
Ectomorfo: É o típico magro. 
Ele tem uma estrutura corporal leve, com articulações pequenas e massa muscular magra. 
Normalmente o ectomorfo tem os membros longos e finos com músculos fibrosos. 
Ombros tendem a ser finos, com pouca largura.
Alguns traços típicos incluem também peito achatado, metabolismo rápido e dificuldade em ganhar peso.
 
Mesomorfo: Tem uma estrutura óssea grande, grandes músculos e um corpo naturalmente atlético. 
Ganha e perde peso com facilidade. 
Eles são naturalmente fortes, corpo geralmente firme, músculos bem definidos, corpo em forma retangular.
 
Endomorfo: O tipo de corpo endomorfo é sólido e eles ganham gordura com muita facilidade. 
Endo são geralmente de uma compilação mais curta, com braços e pernas grossas. 
Músculos são fortes, especialmente na parte superior das pernas. 
Características típicas do corpo endomorfo incluem corpo arredondado, tem dificuldade em perder gordura, metabolismo lento, músculos não são tão bem definidos.

evolução

A evolução humana corresponde ao processo de mudanças que originou os seres humanos e os diferenciou como uma espécie.
As características próprias da espécie humana foram construídas ao longo de milhares de anos, com a evolução dos primatas.

Ambiente

Sabe-se que fatores ambientais como o sol, clima e alimentação exercem influência no desenvolvimento do indivíduo (ex. pessoas com má nutrição podem não crescer o que poderiam).

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Excelente para exercitar sua memória.

É grátis.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
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