Formação do plexo braquial

O plexo braquial é uma rede de fibras nervosas que estende-se do pescoço até o membro superior através do canal cervicoaxilar (limitado pela clavícula, 1ª costela e parte superior da escápula) para inervar o membro superior e a região do ombro.
O plexo braquial é formado habitualmente pelos ramos anteriores dos nervos C5, C6, C7 e C8 e pela parte maior do ramo anterior do nervo T1 (as raízes do plexo braquial).
O plexo braquial é dividido em cinco partes:
Raízes, troncos, divisões, fascículos e ramos. 
Imagem: https://commons.wikimedia.org
Observe:
A fusão e a continuação de algumas raízes do plexo nos três troncos;
A separação de cada tronco em divisões anterior e posterior;
A união das divisões para formar três fascículos;
E a origem dos principais ramos terminais (nervos periféricos) dos fascículos como os produtos de formação do plexo.
Não há diferenças funcionais entre essas divisões – elas são usadas simplesmente para auxiliar a explicação do plexo braquial.
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raízes

As “raízes” referem-se ao início do plexo braquial.
São formadas pelos nervos espinhais C5, C6, C7, C8 e T1.
Em cada nível vertebral, surgem nervos espinhais pareados, eles deixam a medula espinhal através do forame intervertebral da coluna vertebral.
Cada nervo, em seguida, divide-se em fibras nervosas anteriores e posteriores.
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As raízes do plexo braquial são formadas pelas divisões anteriores dos nervos espinhais C5, C6, C7, C8 e T1 (as divisões posteriores prosseguem para inervar a pele e a musculatura do tronco).
Após a sua formação, estes nervos passam entre os músculos escaleno anterior e medial com a artéria subclávia para entrar na base do pescoço.
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troncos

Na base do pescoço, as raízes do plexo braquial convergem, formando três troncos.
Essas estruturas são nomeadas de acordo com sua posição anatômica:

Tronco Superior: Uma combinação de raízes C5 e C6;
Tronco médio: uma continuação do n. C7;
Tronco Inferior: Uma combinação de raízes C8 e T1.

Os troncos começam a se mover lateralmente, cruzando o trígono posterior do pescoço.

divisões

Dentro do trígono (triângulo) posterior do pescoço, cada tronco se divide em dois ramos.
Uma divisão segue anteriormente (em direção à frente do corpo) e a outra posteriormente (em direção à parte de trás do corpo).
Assim, eles são conhecidos como as divisões anterior e posterior.
As divisões anteriores dos troncos suprem os compartimentos anteriores (flexores) do membro superior.
E as divisões posteriores dos troncos suprem os compartimentos posteriores (extensores).
As divisões dos troncos formam três fascículos do plexo braquial
Agora temos três fibras nervosas anteriores e três posteriores.
Essas divisões deixam o trígono posterior e passam para a região da axila.
Eles se recombinam na próxima parte do plexo braquial.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
As divisões anteriores dos troncos superior e médio unem-se para formar o fascículo lateral;
A divisão anterior do tronco inferior continua como o fascículo medial;
As divisões posteriores dos três troncos unem-se para formar o fascículo posterior.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

fascículos

Uma vez que as divisões anteriores e posteriores tenham entrado na axila, elas se combinam para formar três fascículos.
Esses fascículos são nomeados pela sua posição em relação à segunda parte da artéria axilar.
Por exemplo, o fascículo lateral situa-se lateralmente à artéria axilar, embora possa parecer que está situado superiormente à artéria, já que é visto mais facilmente durante a abdução do membro.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
O fascículo lateral é formado pela:
Divisão anterior do tronco superior + divisão anterior do tronco médio
O fascículo posterior é formado pela:
Divisão posterior do tronco superior + divisão posterior do tronco médio + divisão posterior do tronco inferior
O fascículo medial é formado pela:
Divisão anterior do tronco inferior.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
Os fascículos dão origem aos principais ramos do plexo braquial.

ramos terminais (nervos periféricos)

A formação do plexo se dá por conta dos nervos periféricos multissegmentares (nominados).
O plexo braquial é dividido em partes supraclavicular e infraclavicular pela clavícula.
Quatro ramos da parte supraclavicular do plexo originam-se das raízes (ramos anteriores) e troncos do plexo braquial (nervo dorsal da escápula, nervo torácico longo, nervo para o músculo subclávio e nervo supraescapular) e pode-se ter acesso a eles através do pescoço.
Além disso, ramos musculares sem nome oficial originam-se das cinco raízes do plexo (ramos anteriores de C5–T1) e suprem os músculos escaleno e longo do pescoço.
Os ramos da parte infraclavicular do plexo originam-se dos fascículos do plexo braquial e pode-se ter acesso a eles através da axila.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Ramos supraclaviculares

Dorsal da escápula

origem

Face posterior do ramo anterior de C5 com uma contribuição frequente de C4.

Trajeto

Perfura o M. escaleno médio; desce profundamente aos Mm. levantador da escápula e romboides.

Estruturas inervadas

Mm. romboides; às vezes supre o M. levantador da escápula.
Imagem: https://commons.wikimedia.org
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Torácico longo

origem

Face posterior dos ramos anteriores de C5, C6, C7.

Trajeto

Atravessa o “canal cervicoaxilar”,
descendo posteriormente às raízes C8 e T1 do plexo (ramos anteriores); segue inferiormente na face superficial do M. serrátil anterior.

Estruturas inervadas

M. serrátil anterior.
Imagem: https://commons.wikimedia.org
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Supraescapular

origem

Tronco superior, recebendo fibras de C5, C6 e muitas vezes de C4.

Trajeto

Segue lateralmente através da região cervical lateral (trígono cervical posterior), superiormente ao plexo braquial; depois através da incisura da escápula, inferiormente ao ligamento cervical transverso superior.

Estruturas inervadas

Mm. supraespinal e infraespinal; articulação do ombro.
Imagem: https://commons.wikimedia.org
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Subclávio

origem

Tronco superior, recebendo fibras de C5, C6 e muitas vezes de C4.

Trajeto

Desce posteriormente à clavícula e anteriormente ao plexo braquial e à A. subclávia; frequentemente emite uma raiz acessória para o N. frênico.

Estruturas inervadas

M. subclávio e articulação esternoclavicular (a raiz
frênica acessória inerva o diafragma).
Imagem: https://commons.wikimedia.org
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Ramos infraclaviculares

Peitoral lateral

origem

Ramo lateral do fascículo lateral, recebendo fibras de C5, C6, C7.

Trajeto

Perfura a membrana costocoracoide para chegar
à face profunda dos Mm. peitorais; um ramo comunicante para o N. peitoral medial passa
anteriormente à A. e à V. axilares.

Estruturas inervadas

Basicamente M. peitoral maior; mas algumas fibras do N. peitoral lateral seguem até o M. peitoral menor pelo ramo para o N. peitoral medial.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Peitoral medial

origem

Ramos laterais do fascículo medial,  recebendo fibras de C8, T1.

Trajeto

Segue entre a A. e a V. axilares; depois perfura o M. peitoral  menor e entra na face profunda do M. peitoral maior; embora seja denominado medial em razão de sua origem no fascículo medial, situa-se lateralmente ao N. peitoral lateral.

Estruturas inervadas

M. peitoral menor e parte esternocostal do M. peitoral maior.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Musculocutâneo

origem

Ramo terminal do fascículo lateral, recebendo fibras de C5, C6 e C7.

Trajeto

Sai da axila perfurando o M. coracobraquial; desce entre os Mm. bíceps braquial e braquial, suprindo ambos; continua como o N. cutâneo lateral do antebraço.

Estruturas inervadas

Músculos do compartimento
anterior do braço (coracobraquial, bíceps braquial e braquial); pele da face lateral do antebraço.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Mediano

origem

A raiz lateral do nervo mediano é um ramo terminal do fascículo lateral (C6, C7).
A raiz medial do nervo mediano é um ramo terminal do fascículo medial (C8, T1).

Trajeto

As raízes lateral e medial fundem-se para formar o N. mediano lateralmente à artéria axilar; desce no braço adjacente à A. braquial, com o nervo cruzando gradualmente anterior à artéria para situar-se medialmente à artéria na fossa cubital.

Estruturas inervadas

Músculos do compartimento anterior do antebraço (exceto o M. flexor ulnar do carpo e a metade ulnar do M. flexor profundo dos dedos), cinco músculos
intrínsecos na metade tenar da palma e a pele da palma.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Cutâneo medial do braço

origem

Ramos laterais do fascículo medial,  recebendo fibras de C8, T1.

Trajeto

Menor nervo do plexo; segue ao longo da face medial das veias axilar e braquial; comunica-se com o N. intercostobraquial.

Estruturas inervadas

Pele da face medial do braço, até o epicôndilo medial do úmero e olécrano da ulna.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Cutâneo medial do antebraço

origem

Ramos laterais do fascículo medial,  recebendo fibras de C8, T1.

Trajeto

Inicialmente segue com o N. ulnar (com o qual pode ser confundido), mas perfura a fáscia muscular com a V. basílica e entra na tela subcutânea, dividindo-se em ramos anterior e posterior.

Estruturas inervadas

Pele da face medial do antebraço, até o punho.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Ulnar

origem

Maior ramo terminal do fascículo medial, recebendo fibras de C8, T1 e muitas vezes de C7.

Trajeto

Desce a região medial do braço; passa posteriormente ao epicôndilo medial do úmero; depois desce na face ulnar do antebraço até a mão.

Estruturas inervadas

M. flexor ulnar do carpo e metade ulnar do M. flexor profundo dos dedos (antebraço); a maioria dos
músculos intrínsecos da mão; pele da mão medial à linha axial do 4º dedo.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Subescapular superior

origem

Ramo lateral do fascículo posterior, recebendo fibras de C5.

Trajeto

Segue posteriormente, entrando diretamente no M. subescapular.

Estruturas inervadas

Parte superior do M. subescapular.
Imagem: https://commons.wikimedia.org
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Subescapular inferior

origem

Ramo lateral do fascículo posterior, recebendo fibras de C6.

Trajeto

Segue em sentido inferolateral, profundamente à A. e à V. subescapulares.

Estruturas inervadas

Parte inferior dos Mm. subescapular e redondo maior.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Toracodorsal

origem

Ramo lateral do fascículo posterior, recebendo fibras de C6, C7, C8.

Trajeto

Origina-se entre os Nn. subescapulares superior e inferior e segue inferolateralmente ao longo da parede axilar posterior até a parte apical do M. latíssimo do dorso.

Estruturas inervadas

M. latíssimo do dorso.
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MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Axilar

origem

Ramo terminal do fascículo posterior, recebendo fibras de C5, C6.

Trajeto

Sai da fossa axilar posteriormente, atravessando o “espaço quadrangular” com a A. circunflexa posterior do úmero; dá origem ao N. cutâneo lateral
superior do braço; depois se espirala ao redor do colo cirúrgico do úmero profundamente ao M. deltoide.

Estruturas inervadas

Articulação do ombro; Mm. redondo menor e deltoide; pele da parte superolateral do braço (sobre a parte inferior do M. deltoide).
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Radial

origem

Maior ramo terminal do fascículo  posterior (maior ramo do plexo), recebendo fibras de C5,C6, C7, C8 e T1.

Trajeto

Sai da fossa axilar posteriormente à A. axilar; segue posteriormente ao úmero no sulco radial com a A. braquial profunda, entre as cabeças lateral e medial do M. tríceps braquial; perfura o septo intermuscular lateral; entra na fossa cubital, dividindo-se em Nn. radiais superficial (cutâneo) e profundo (motor).

Estruturas inervadas

Todos os músculos dos compartimentos posteriores do braço e antebraço; pele da região posterior e inferolateral do braço,
região posterior do antebraço e dorso da mão lateral à linha axial do 4º dedo.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
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