OSTEOLOGIA

HISTÓRIA

Na cidade de Glasgow (Escócia) está localizado um dos maiores museus de ossos, The Hunterian Museum.
Contém a coleção de ossos do anatomista John Hunter (1728-1793). Hunter era um colecionador fanático, perseguiu Charles Byrne, um irlandês extremamente alto. Ficou fascinado pela estatura do gigante, que queria a qualquer custo seu esqueleto após sua morte, para fazer parte de sua coleção.
Byrne, que não possuía uma boa saúde e apavorado deixou relatado que após sua morte seu caixão deveria ser lacrado e jogado ao mar. Mas, com um pouco de dinheiro John Hunter adquiriu o esqueleto do gigante após sua morte e esse está exposto em seu museu.

Tecido ósseo

O osso é formado por tecido conjuntivo especializado (tecido conjuntivo calcificado).
A parte orgânica do tecido constitui 30% do tecido ósseo, formada por:
células (2%) e matriz orgânica (98%, sendo 95% de fibras colágenas tipo I).
A parte inorgânica (mineral) constitui 70%, formada praticamente por cristais de hidroxiapatita. Esse arranjo torna o tecido ósseo extremamente resistente, suportando força de tração similar ao ferro, com um terço do peso e a metade da flexibilidade do aço.
No osso esponjoso, essas delgadas lâminas se dispõem de modo a formar pequenas cavidades ou celuletas.
O osso longo tem mais desenvolvido uma das suas dimensões; constitui uma espécie de cilindro, no qual podemos distinguir uma parte central dita corpo ou diáfise, e duas extremidades chamadas de epífises.
As epífises são formadas por tecido ósseo esponjoso, que, na superfície, é revestido por uma camada de tecido ósseo compacto. 
No osso esponjoso, a medula enche as cavidades formadas pelo interpenetrar-se das trabéculas.
Até a idade adulta, a diáfise e as epífises são separadas entre si, ou, melhor, estão unidas somente por um tecido cartilaginoso; é esta a cartilagem de conjugação ou diafisiária que permite o desenvolvimento do osso em comprimento, e permanece até que o indivíduo complete o seu desenvolvimento esquelético.
A diáfise é formada por tecido ósseo compacto e é percorrido longitudinalmente por um canal interno, chamado canal medular, ocupado pela medula.
A medula do osso desempenha uma função importantíssima: fabrica os glóbulos do sangue, sejam os vermelhos ou brancos.
Certos ossos estão atravessados na periferia por furos: são os furos de transmissão, que servem de passagem a órgãos importantes como vasos e nervos.
Todos os ossos têm furos que penetram no seu interior, os furos nutritivos, pelos quais penetram no osso os vasos que devem nutri-lo.
Estão eles revestidos por uma membrana fibrosa: o periósteo, que tem a função de nutrir o osso e de fazê-lo crescer em espessura (enquanto o osso cresce em comprimento por meio das cartilagens de conjugação).
O tecido ósseo é o tecido de sustentação que apresenta maior rigidez e forma os ossos dos esqueletos dos vertebrados. 
É constituído pelas células ósseas e por uma matriz compacta e resistente.
As células se encontram alojadas em cavidades na matriz e se comunicam umas com as outras por meio de prolongamentos finos.
A matriz é constituída por grande quantidade de fibras colágenas, dispostas em feixes, entre os quais se depositam cristais, principalmente de fosfato de cálcio. 
A grande resistência do tecido ósseo resulta dessa associação de fibras colágenas com o fosfato de cálcio.
A irrigação sanguínea de um osso longo é feito principalmente por artérias, que entram na cavidade medular através de forames nutrícios da diáfise e da epífese.
A extrema rigidez do tecido ósseo é o resultado da interação entre o componente orgânico e o componente mineral da matriz. 
A nutrição das células que se localizam dentro da matriz é feita pelos canais de Havers e Volkmann.
Canais de Havers são uma série de tubos estreitos dentro dos ossos por onde passam vasos sanguíneos e células nervosas. 
São formados por lamelas concêntricas de fibras colágenas. 
São encontrados na região mais compacta do osso da diáfise óssea (meio de ossos longos). 
Podem ser vistos no centro de ósteons em cortes histológicos dos ossos. 
As comunicações menores e mais transversais entre os canais de Havers são chamadas de Canais de Volkmann com a mesma função de nutrir, mineralizar e enervar o osso.
A camada de tecido conectivo vascular que reveste a cavidade medular do osso é chamada de endósteo.

Tipos celulares

São quatro tipos celulares:

células osteoprogenitoras

Também, chamadas de osteogênicas. 
São provenientes da lâmina profunda do periósteo.
Essas células são formadas de acordo com o estímulo oferecido ao periósteo, como forças de tração e compressão (induzidas pela contração muscular), esse tipo celular se diferencia rapidamente, formando os osteoblastos.

osteoblastos

São células jovens do tecido ósseo, produzem a parte orgânica da matriz óssea (composta por colágeno tipo I, proteoglicanas e glicoproteínas).
A matriz recém formada pelo osteoblasto é denominada de osteóide.
Cerca de 20 dias após sua formação, ocorre a concentração de fosfato de cálcio e outros elementos (bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato), formando cristais de hidroxiapatita (parte inorgânica da matriz).
Os cristais de hidroxiapatita se associam com as fibras colágenas, conferido rigidez e flexibilidade ao osso.
Após a calcificação da matriz, o osteoblasto passa a ser denominado de osteócito.

osteócitos

São células velhas, que promovem a manutenção da matriz óssea, residentes em lacunas da matriz óssea.
Há de 20.000 a 30.000 osteócitos por mm³ de osso.
Apesar de os osteócitos abandonarem a função de secretar a matriz óssea, eles permanecem secretando substâncias necessárias à manutenção do osso.

osteoclastos

São células que se originam de monócidos e macrófagos teciduais.
São produtores de enzimas lisossomais, capazes de reabsorver a matriz calcificada, participando do processo de remodelação óssea.
O hormônio da glândula paratireóide (parato-hormônio – PTH) estimula a atividade osteoclástica, aumentando o processo de absorção da matriz calcificada, liberando o cálcio na corrente sanguínea.
O estrógeno reduz a formação de osteoclastos e seu recrutamento, alguns estudos sugerem que o estrógeno participa no processo de apoptose dos osteoclastos.

Formação do tecido ósseo - osteogênese

O osso tem origem a partir de uma cartilagem ou tecido conjuntivo.

Ossificação Intramembranosa

As células mesenquimais indiferenciadas do tecido conjuntivo membranoso se transformam em osteoblastos e elaboram a matriz osteóide.
Osso resulta a partir do: periósteo, endósteo, suturas e ligamento periodontal.
É o modo de crescimento predominante no crânio, mesmo em ossos como a mandíbula e o esfenóide.
Ocorre em áreas de tensão.

Ossificação endocondral

O tecido mesenquimal original se transforma em cartilagem.
Ocorre em regiões envolvidas em altos níveis relativos de compressão.
É encontrada em articulações móveis e em algumas partes da base do crânio.
A cartilagem cresce por aposição (ação da membrana condrogênica) e intersticialmente (divisão dos condrócitos e adição da matriz intercelular).
As cartilagens de crescimento aparecem onde o crescimento linear em direção da pressão é necessário, permitindo que o osso aumente em direção à área de força.

Classificação dos ossos

Há várias maneiras de classificar os ossos. 
Eles podem, por exemplo, ser classificados pela sua posi­ção topográfica, reconhecendo-se ossos axiais (que per­tencem ao esqueleto axial) e apendiculares (que fazem parte do esqueleto apendicular).
Entretanto, a classi­ficação mais difundida é aquela que leva em conside­ração a forma dos ossos, classificando-os segundo a predominância de uma das dimensões (comprimento, largura ou espessura) sobre as outras duas.
Assim, re­conhecem-se:

Ossos Longos

São aqueles que apresentam um comprimento consideravelmente maior que a largura e a espessura.
Exemplos típicos são os ossos do esqueleto apendicular: fêmur, úmero, rádio, ulna, tíbia, fíbula, falanges.
Observe como o osso longo apresenta duas extremidades, denominadas epífises e um corpo, a diáfise.
Este possui, no seu interior, uma cavidade — canal medular, que aloja a medula óssea (figura).
Por esta razão os ossos longos são também chamados tubula­res
Nos ossos em que a ossificação ainda não se completou, é possível visualizar entre a epífise e a diáfise um disco cartilaginoso – cartilagem epifisial, relacionado com o cres­cimento do osso em comprimento.

Ossos alongados

Possuem o comprimento maior que a largura e espessura, são semelhantes aos ossos longos, porém não possuem canal medular e são curvados.
Ex: clavículas e costelas.

Ossos Laminares - Planos - Chatos

São os que apresentam comprimen­to e largura equivalentes, sendo maiores que a espessura
Ossos do crânio, como o parie­tal, frontal, occipital e outros como a escápu­la e o osso do quadril, são exemplos bem demonstrativos.

Ossos Curtos

São aqueles que apresentam equivalência das três dimensões
Os ossos do carpo e do tarso são excelentes exemplos.

Ossos Irregulares

Apresentam uma morfologia complexa que não encontra forma geométrica conhecida.
As vértebras e o osso esfenoidal são exemplos marcantes.

Ossos Pneumáticos

Apresentam uma ou mais cavidades, de volume variável revestidas de mucosa e contendo ar.
Estas cavidades recebem o nome de seio. 
Os ossos pneumáticos estão situados no crânio, são eles:
Frontal, maxila, temporal, etmóide e esfenóide.

Ossos Sesamóides

Desenvolvem-se na substância de certos tendões ou da cápsula fibrosa que envolve certas articulações.
Os primeiros são chamados intratendínios e os segundos peri-articulares. 
A patela é um exemplo típico de osso sesamóide intratendínio.

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Referências Bibliográficas

BONTRAGER: Kenneth L.;  John P.  Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
MOORE: Keith L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia Humana. 5.ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011.
SOBOTTA: Sobotta J. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
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